Planejamento financeiro

Como definir objetivos financeiros e calcular quanto poupar

Quanto custa o que você quer fazer? Quando precisará pagar? Essas duas respostas ajudam a descobrir quanto guardar por mês e se o plano cabe no orçamento.

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“Quero fazer um curso” ainda deixa muita coisa em aberto. Quando você pesquisa o preço, escolhe uma data e separa o dinheiro já disponível, consegue avaliar o compromisso mensal antes de se matricular. O mesmo vale para uma viagem, uma reforma ou a troca de um equipamento de trabalho.

A definição do objetivo também vem antes da escolha da aplicação. A CVM trata os objetivos como referência para organizar a vida financeira. A conta abaixo ajuda a transformar essa escolha em um plano de poupança.

Defina o valor e a data de pagamento

Anote o que pretende fazer e por que isso importa. Depois, reúna os números:

  • Custo previsto: inclua as despesas necessárias para realizar a meta. Num curso, podem existir matrícula, material e transporte além das mensalidades.
  • Dinheiro já separado: conte apenas o saldo exclusivo desse objetivo. O valor reservado para uma conta ou outra meta não está disponível de novo.
  • Data de pagamento: conte os aportes que conseguirá fazer antes dela. Um depósito depois do vencimento não ajuda a pagar a despesa no prazo.

Se o único preço disponível for o de hoje, registre que a estimativa é provisória. O custo na data da compra pode mudar. Para despesas inesperadas, calcule a reserva de emergência separadamente; evite comprometer essa proteção com uma compra planejada.

Quanto você precisa guardar por mês?

Sem considerar rendimento, a conta é:

Aporte mensal = valor que falta ÷ número de aportes restantes.

Subtraia da meta o dinheiro já reservado. Se o saldo cobrir todo o custo, não há valor adicional a juntar nesse cenário. Se faltar dinheiro e não houver mais nenhum aporte antes do pagamento, será preciso rever a data, o custo ou os recursos disponíveis. Quando a divisão resultar em fração de centavo, arredonde o aporte para cima.

Exemplo: R$ 12.000 em 18 aportes

Suponha uma meta de R$ 12.000, com R$ 3.000 já separados e 18 aportes mensais possíveis. Faltam R$ 9.000. Dividindo por 18, o aporte necessário é de R$ 500 por mês.

Se só couberem R$ 350, ao fim dos 18 aportes você terá R$ 9.300: os R$ 3.000 iniciais mais R$ 6.300 poupados. A diferença para a meta será de R$ 2.700.

Com o mesmo aporte de R$ 350, serão necessários 26 depósitos. Após 25, o saldo será R$ 11.750; após 26, R$ 12.100. São oito contribuições a mais do que no prazo original. Outra possibilidade é reduzir o custo da meta ou destinar mais dinheiro a ela, se houver espaço real no orçamento.

Todos os valores são fictícios e a conta não inclui rendimento, inflação, impostos ou custos. R$ 12.000 é o custo nominal suposto para a data escolhida; o exemplo não prevê o preço futuro de uma compra. Um aporte de R$ 0 não fecha uma meta incompleta nesse cenário.

Quando duas metas disputam o mesmo dinheiro

Imagine que você consiga separar R$ 450 por mês no total. Um curso de R$ 3.000 em dez aportes exige R$ 300 mensais. Uma viagem de R$ 2.400 em oito aportes também exige R$ 300. Os dois planos juntos pedem R$ 600, acima do orçamento.

Neste exemplo fictício, o curso tem prioridade. Adiando a viagem para 16 aportes, a parcela dela cai para R$ 150. Veja como fica a divisão:

Exemplo de plano revisto — orçamento total de R$ 450 por mês
Objetivo e prioridade Motivo Custo previsto Já reservado Aportes restantes Necessário por mês Disponível por mês Próxima revisão
1. CursoCapacitação profissionalR$ 3.000R$ 010R$ 300R$ 300Após o 1º aporte
2. ViagemDescansoR$ 2.400R$ 016R$ 150R$ 150Após o 1º aporte

Os aportes somam R$ 450, sem usar o mesmo dinheiro duas vezes. Depois de completar o curso, você poderá mudar a destinação dos R$ 300 liberados, mas a conta da viagem já fecha sem depender disso. Se a data mudar, confira também o novo custo estimado da viagem.

Monte seu plano

Copie a tabela ou imprima esta página para preencher à mão. Coloque a data de pagamento ao lado de cada objetivo e uma data de revisão na última coluna. Some os valores disponíveis por mês: o total precisa caber no orçamento depois das despesas e dos compromissos assumidos.

No celular, deslize a tabela para os lados; com teclado, use as setas ao focar a região. Para imprimir com mais espaço para escrever, escolha a orientação paisagem.

Seu plano de objetivos — ficha para preencher
Objetivo, prioridade e data de pagamento Motivo Custo previsto Já reservado Aportes restantes Necessário por mês Disponível por mês Próxima revisão
1.
2.
3.

O que fazer se o plano deixar de caber

Na revisão, atualize o saldo de cada meta, o custo previsto e o número de aportes até o pagamento. Refaça a divisão com esses dados. Uma mudança de renda, uma despesa urgente ou um objetivo que perdeu importância são motivos para rever a distribuição.

Não há um percentual da renda que funcione para todo mundo. Se o orçamento não tiver sobra, o primeiro ajuste pode ser o prazo ou o tamanho da meta. Buscar uma aplicação mais arriscada para compensar a falta de dinheiro não garante o resultado.

Onde guardar o dinheiro da meta?

O dinheiro precisa estar disponível quando a despesa vencer. Por isso, confira prazo de resgate, carência, vencimento e risco de perda. A orientação da CVM é relacionar a escolha do investimento ao objetivo e ao perfil de risco, em vez de procurar um produto ideal para todas as situações.

Liquidez alta também não elimina todos os riscos. Um ativo pode ser negociado com facilidade e ainda sofrer oscilações ou ter risco de crédito, como explica a CVM na página sobre liquidez.

Para comparar uma aplicação de renda fixa, use as calculadoras de CDB, CDI, LCI e LCA e confira as premissas de cálculo. Já o simulador de aportes mostra quanto um valor mensal pode acumular com uma taxa hipotética e prazo em anos inteiros. Ele não calcula o aporte necessário para uma meta em qualquer número de meses; para essa conta sem rendimento, use o exemplo e a ficha acima.