A vida é imprevisível. Apesar de todo o nosso planejamento, emergências sempre acontecem.

As emergências são os momentos em que estamos mais vulneráveis. Elas causam dívidas, stress emocional, preocupação e impedem que façamos o que é preciso de uma maneira racional.

Alguns exemplos de emergências são acidentes, perder o emprego, doenças repentinas, quebra do carro ou de eletrodomésticos essenciais, reparos de emergência em sua casa, entre outros.

Posso usar um exemplo pessoal, pois há alguns meses tivemos uma emergência médica na família. Nós possuímos plano de saúde, porém isso não impediu vários custos adicionais que o plano não cobriu, além da necessidade de realizar algumas consultas particulares.

Só neste pequeno incidente gastamos algumas centenas de reais, entre consultas, remédios e curativos. Além do afastamento do trabalho, que também precisa entrar na conta e irá refletir diretamente na nossa renda mensal.

Se nós não tivéssemos uma vida financeira equilibrada, além do stress emocional causado pelo problema, ainda teria o stress financeiro.

Emergências médicas costumam ser muito estressantes. Porém, imagine: Que tipo de decisão financeira você conseguiria tomar em um momento de crise emocional e preocupação com a sua saúde ou a dos seus familiares?

Este é o pior momento para se preocupar com dinheiro.

O exemplo acima é o tipo mais grave de emergência, que são as que envolvem a saúde. Porém existem outros imprevistos estressantes, como a perda do emprego, uma quebra inesperada do seu veículo, de algum eletrodoméstico importante ou problemas estruturais na casa.

Na verdade, um simples reparo hidráulico ou a necessidade de chamar o chaveiro de plantão já são motivos suficientes para causar stress emocional e financeiro.

Quando o problema não envolve a saúde e sim um bem material, o stress é um pouco menor, mas também existe. E é essencial ter uma elasticidade financeira para negociar preços e conseguir a solução do problema de uma maneira rápida. Isso diminui o transtorno causado pela emergência e reduz a perda financeira.

Por este motivo a reserva de emergência é importante.

Quem possui dívidas encontra-se em uma situação ainda mais crítica, pois sem a reserva de emergência existe uma chance grande da pessoa contrair mais uma dívida devido a um imprevisto.

Ou pior: já estar com o nome sujo e não conseguir recursos para resolver o problema.

Eu sei que é desagradável pensar em coisas ruins, mas tenha em mente que construir uma reserva de emergência não é ser pessimista, e sim uma prevenção contra dívidas inesperadas.

Se você possui dinheiro guardado para emergências, sua vida financeira será muito mais equilibrada. Além desta folga no orçamento, você também terá tranquilidade para focar em objetivos de curto, médio e longo prazo sem se preocupar com os imprevistos pelo caminho.

Quanto Dinheiro preciso para uma reserva de emergência?

poupar para emergências

A quantia de dinheiro que você deve poupar varia conforme a sua situação financeira e familiar. O valor mínimo recomendado é de 3 vezes os seus gastos fixos mensais. Dentro destes gastos entram o aluguel, contas da casa, parcelas de financiamentos, pagamento de cartões, compras de supermercado e demais despesas que não podem ser reduzidas repentinamente em casos de emergência.

Se você é um profissional liberal, autônomo ou freelancer, este valor aumenta para 6 vezes, pois a sua renda varia e é mais fácil ocorrerem problemas no meio do caminho. Para estes profissionais, recomendo assistir a palestra “Como Possuir um Salário Fixo Mensal Mesmo sendo Profissional Liberal, autônomo ou Freelancer”

Além disso, é preciso pensar na probabilidade de ocorrer uma emergência. Se existe alguma doença crônica ou tratamentos de saúde a longo prazo na sua família, esta reserva deverá ser maior.

Pessoas que usam o veículo próprio para trabalhar também precisarão de mais dinheiro na reserva de emergência, para que um problema com o carro não a impeça de trabalhar por muito tempo.

Como Poupar para Emergências

Se você não tem uma reserva de emergência, é preciso colocá-la como uma prioridade. Esta regra vale mesmo para pessoas endividadas. Como explicado anteriormente, a reserva financeira servirá para impedi-lo de criar ainda mais dívidas.

Para construir esta reserva de emergência, você deverá poupar dinheiro por alguns meses, mesmo que seja necessário apertar o orçamento neste período.

Aqui entra um ponto muito importante: quanto mais adequado for o seu padrão de vida, mais fácil será criar uma reserva de emergência.

Pessoas que vivem exatamente no padrão de vida que a sua renda pode pagar precisarão economizar por mais tempo, enquanto que aqueles que vivem abaixo das suas possibilidades financeiras conseguirão ter segurança financeira com mais facilidade. E aqueles que possuem um padrão de vida acima das suas possibilidades são o pior caso, pois esta é a receita para o fracasso financeiro e para contrair dívidas no futuro.

Para ter uma vida financeira equilibrada, você precisa gastar menos do que ganha, e isso significa ter um padrão de vida inferior à sua renda. Esta é a regra clássica das finanças pessoais.

Parece simples? Sim, mas é a verdade. Não há como fugir desta regra.

Ao gastar menos do que ganha, sempre haverá uma folga no orçamento que permitirá construir a reserva de emergência e poupar para o futuro .

Tendo isto em mente, vamos ao passo a passo para construir a reserva de emergência:

  1. Calcule quanto dinheiro é necessário para constituir a reserva;
  2. Com este valor, poupe no mínimo 10% da sua renda para construir esta reserva todos os meses. Quanto mais você conseguir poupar, em menos tempo conseguirá construir este fundo para emergências. Por exemplo, se você consegue poupar 20% da sua renda mensal, a cada 5 meses terá poupado o equivalente ao salário de 1 mês.

Se hoje as suas finanças são desequilibradas ao ponto de não ser possível poupar no mínimo 10% do seu salário, é porque algo está errado e será necessário realizar alguns sacrifícios para construir uma reserva de emergência.

Para saber exatamente o que está acontecendo com o seu dinheiro, faça um diagnóstico financeiro por, no mínimo, 30 dias. Este diagnóstico consiste em anotar (em papel, ou aplicativos) todo e qualquer gasto realizado, desde a gorjeta do flanelinha até o pagamento de contas e parcelas.

Com este diagnóstico, será possível observar onde estão os “ralos” para o seu dinheiro. Acredite, é possível encontrar resultados surpreendentes apenas com esta estratégia.

Novamente: parece simples? Sim. Porque é simples. O problema é que as pessoas não colocam isto em prática. Não adianta procurar soluções complexas ou milagrosas, porque elas não existem.

Se você tem dificuldades para criar um planejamento financeiro e poupar dinheiro, recomendo a leitura destes artigos:

Como organizar as finanças pessoais sem um salário fixo

Como Sair do Vermelho e Equilibrar suas Contas de uma Vez por Todas

5 Dicas Essenciais para Economizar Dinheiro da Maneira Certa

Como Fazer um Planejamento Financeiro

Como investir a reserva de emergência

Como a função principal da reserva é ser usada em uma emergência, é importante que ela seja investida em ativos de alta liquidez, ou seja, aplicações em que seja fácil transformar o investimento em dinheiro.

Exemplos de ativos financeiros de alta liquidez são a caderneta de poupança, produtos bancários com liquidez diária como alguns CDBs e títulos do Tesouro Selic.

Para investir a reserva de emergência, você não deve se preocupar com a rentabilidade, e sim com a liquidez. Lembre-se sempre que o objetivo principal deste dinheiro é estar disponível, e não necessariamente render juros altos.

Aqui vão algumas dicas:

– Sempre deixe uma parte da reserva financeira na poupança. Apesar da rentabilidade baixa, a grande vantagem é que a liquidez é extremamente alta, pois você pode transferir o dinheiro da poupança para a sua conta corrente em poucos minutos.

– Outra parte da reserva pode ser investida no Tesouro Selic. Este título do Tesouro Direto é pós fixado e não há penalidades na rentabilidade se ele for resgatado antes do prazo de vencimento. A liquidez também é alta, porém menor que a caderneta de poupança. A venda do título pode ser realizada todos os dias, porém o processo para vender o título e transferir o dinheiro da corretora para a conta corrente poderá demorar alguns dias úteis.  Para saber mais sobre o Tesouro Selic, leia este artigo.

– Por fim, uma terceira opção são os CDBs com liquidez diária. Nestas aplicações, é possível sacar o dinheiro diariamente, com poucas penalidades na rentabilidade. Porém é importante comparar se o investimento valeria a pena comparado com o Tesouro Selic. Saiba mais sobre CDBs aqui.

Quando usar a reserva de emergência

Tenha muito cuidado com o dinheiro da reserva. Ela é usada para emergências, e não para aproveitar oportunidades. É necessário estabelecer prioridades e saber diferenciar o que é uma emergência verdadeira e o que é um desejo momentâneo.

Reserva financeira
Sua casa pegando fogo é uma emergência!

 

Aqui vão alguns exemplos:

– Acabo de descobrir um show da minha banda favorita, mas os ingressos estão se esgotando e não tenho dinheiro – Não é uma emergência.

– Sofri um acidente e preciso pagar os remédios e o tratamento – é uma emergência.

– Bati o carro e preciso pagar a franquia do seguro – é uma emergência.

– Apareceu uma promoção relâmpago de um produto que quero comprar, o preço está imperdível – não é uma emergência.

– Me planejei mal e descobri que vou ficar no vermelho este mês – pode ser uma emergência, porém deve ser algo pontual. Se este tipo de situação ocorrer com frequência, é preciso rever o seu orçamento mensal e fazer um planejamento financeiro.

Lembre-se sempre que você deve repor o dinheiro da reserva sempre que ele for usado. Pense na reserva como um empréstimo a si mesmo, ao invés de contrair uma dívida com um banco.  Portanto, ele deve ser devolvido o mais rápido possível.

Conclusão

A vida é cheia de incertezas, e precisamos estar preparados para isso. Existem muitos casos de pessoas que passam por situações de emergência e acabam contraindo sérias dívidas por este motivo.

Situações como essa são terríveis, pois geram um stress adicional que não seria necessário se houvesse alguma folga no orçamento e uma reserva financeira de emergência.

Se hoje você não possui uma reserva de emergência, torne-a uma prioridade. Não se preocupe com objetivos de curto prazo enquanto a reserva não estiver completa.

Ter segurança financeira é fundamental para manter uma boa qualidade de vida. É poder dormir à noite sabendo que as suas contas estão pagas, seu dinheiro está bem investido e disponível para arcar com os custos gerados por imprevistos.

É claro que deve existir um equilíbrio, como em tudo na vida. Não poupe dinheiro por medo do que pode acontecer no futuro, e sim para ter tranquilidade financeira. A reserva de emergência é uma prioridade, mas não deve ser uma obsessão.

Poupe o valor da sua reserva, mas não se esqueça que a vida é feita de alegrias e o dinheiro também serve para proporcioná-las. O nome deste Blog é Poupar e Viver exatamente por este motivo: É possível poupar e viver a vida ao mesmo tempo. Para isso, basta ter a mentalidade correta, um bom planejamento financeiro e investir corretamente.